Home Geral Após polêmica com pronome neutro, Assembleia Legislativa pede que UEMS corrija edital

Após polêmica com pronome neutro, Assembleia Legislativa pede que UEMS corrija edital

Universidade Estadual de MS usou a linguagem no edital de pós-graduação sobre diversidade para abarcar candidatos que não se identificam com o gênero feminino ou masculino.

by Redação

Por: Ana Clara Santos – Correio do Estado/Redação

Universidade Estadual de MS em Dourados terá que explicar porquê usou linguagem neutra em edital, contrariando lei que a proíbe em documento oficiais. (Foto: Arquivo Correio do Estado)

A Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul pretende enviar nas próximas semanas um requerimento à Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) para que o edital publicado no dia 17 de maio, no Diário Oficial de MS, seja corrigido e a linguagem neutra utilizada no documento seja eliminada.

O uso deste tipo de linguagem, que não define gênero femino e masculino, no edital da universidade já havia sido tema de debate na Casa de Leis. A publicação trata da abertura de vagas para o curso de pós-graduação lato sensu em Currículo de Diversidade no campus de Dourados.

A polêmica foi gerada porque no texto, além de trazer o masculino e feminino, o documento também se refere ao pronome neutro ao tratar dos candidatos. Por exemplo, quando fala das vagas de ações afirmativas

“Os/As/Es candidatos/as/es autodeclarados/as/es para as vagas de ações afirmativas concorrerão, exclusivamente, às vagas reservadas para sua modalidade”, diz um trecho do documento.

Neste caso o E serve para designar pessoas que não se identificam com o gênero masculno e nem feminino, sendo que muitas vezes o neutro também é trocado por neutre, com E, para não indicar binaridade.

Apesar de tentar ser inclusivo, o edital está irregular por não seguir a norma estabelecida pela lei estadual n°5.820, de 2021, que foi sancionada no ano passado e estabelece que documentos oficiais, bem como nas escolas e universidades administradas pelo estado.

À época em que a lei foi proposta, o autor, o deputado estadual Márcio Fernandes (MDB), afirmou que a linguagem neutra e outras flexões de gênero são contrárias às regras gramaticais nacionalmente ensinadas e que seguem o português culto.

Ainda de acordo com o requerimento em tramitação na Casa de Leis, o pedido de correção será feito diretamente para a Pró-Reitora da unidade de Dourados, Maria José de Jesus e para a coordenadora do curso da pós-graduação em questão, Cíntia Santos.

Além de providenciar a adequação para a norma culta, os deputados irão solicitar que a UEMS explique os motivos pelos quais não cumpriu a lei estadual n° 5.820.

No dia em que o edital foi publicado, o parlamentar Rafael Tavares (PRTB), havia levado a situação para uma sessão da Casa de Leis e disse que escrever desta forma no documento colocava os demais concorrentes, os que não se identificam com a linguagem neutra, “em uma situação ridícula”.

Nesta mesma ocasião, Márcio Fernandes, autor da lei, pediu que o requerimento fosse encaminhado em nome da Assembleia Legislativa. Ele figura como um dos requerentes ao lado de Rafael Tavares e mais 10 parlamentares.

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