Home Cidades MS vai pagar empresas pela qualidade de 730 km de rodovias em contratos de dez anos, com descontos por falhas

MS vai pagar empresas pela qualidade de 730 km de rodovias em contratos de dez anos, com descontos por falhas

by Redação

Por: Idest/Redação

ALEMS

Mato Grosso do Sul vai mudar o modelo de conservação de rodovias e passar a remunerar empresas pela qualidade das estradas, e não pela quantidade de reparos executados. O sistema, financiado pelo Banco Mundial, será implantado inicialmente em 730 quilômetros, com contratos de dez anos e descontos em caso de buracos, mato alto ou falhas de sinalização.

A mudança foi detalhada pelo secretário estadual de Infraestrutura e Logística, Guilherme Alcântara, em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News. Segundo ele, a empresa vencedora da licitação ficará responsável por elaborar o projeto executivo, restaurar a rodovia nos dois primeiros anos e realizar a manutenção durante os oito anos seguintes.

Remuneração dependerá de indicadores

A remuneração mensal será fixa, mas estará condicionada ao cumprimento de indicadores de qualidade previamente estabelecidos. O formato substitui a lógica de pagamentos por serviços específicos, como tapa-buracos, roçada e troca de sinalização.

“O Estado hoje paga pelo tapa-buraco, pela roçada e pela sinalização. Agora vai pagar por uma rodovia em boas condições. Se houver buracos, mato ou problemas de sinalização, a empresa deixa de receber”, explicou o secretário.

Na avaliação do governo, a responsabilidade pela conservação durante uma década deve estimular as empresas a entregar projetos de maior qualidade desde o início, reduzindo os custos de manutenção ao longo do contrato. O modelo é semelhante ao adotado em concessões rodoviárias, mas a remuneração continuará sendo feita pelo Estado, sem cobrança de pedágio.

Malha asfaltada deve chegar a 53% até 2031

A mudança integra um plano mais amplo de modernização da infraestrutura estadual. Mato Grosso do Sul pretende elevar o percentual de estradas asfaltadas de 22%, índice registrado em 2007, para 53% até 2031. Antes disso, em 2029, a previsão é igualar a extensão de rodovias pavimentadas e não pavimentadas, sem considerar a área do Pantanal, onde não há previsão de pavimentação.

Na região leste, impulsionada por investimentos da indústria de celulose, estão obras como a pavimentação da MS-320, entre Três Lagoas e Inocência; a conclusão da MS-316, entre Inocência e Paraíso das Águas; e a restauração da MS-377, utilizada no transporte da produção da Suzano.

Outra prioridade é a pavimentação da MS-213, no norte do Estado. O projeto prevê melhorar a ligação entre Sonora e a divisa com Mato Grosso e inclui estudos para conectar a rodovia à ferrovia em Itiquira, criando um corredor logístico para o transporte de grãos e celulose.

Concessões terão novas etapas

Alcântara também atualizou o cronograma da concessão da Rota da Celulose. As empresas já executam serviços de recuperação nos 870 quilômetros concedidos. A cobrança de pedágio no sistema free flow só será autorizada depois que as rodovias forem completamente restauradas e aprovadas pela Agência Estadual de Regulação.

Até lá, a expectativa é de melhorias nos acostamentos, implantação de terceiras faixas e oferta de serviços permanentes de atendimento ao longo do percurso. Outra concessão está em preparação, com previsão de publicação do edital em dezembro para as rodovias MS-377, MS-240 e MS-489.

O trecho é considerado estratégico entre Água Clara, Paranaíba e Porto Alencastro. O fluxo de caminhões na região aumentou com a expansão das fábricas de celulose.

Aeródromos e pavimentação urbana

Além das rodovias, o Estado ampliou os investimentos em aeródromos. Desde 2023, o número de pistas homologadas passou de seis para 20. O governo também prepara a modernização do Aeródromo Santa Maria, em Campo Grande, com ampliação da pista e instalação de novos equipamentos.

A estrutura deverá atender à movimentação de empresários e executivos atraídos pelos investimentos industriais, além de fortalecer operações de combate a incêndios e atendimentos de emergência no Pantanal.

Nos municípios, a meta é elevar o índice médio de pavimentação para 90%. Segundo Alcântara, a média estadual é de 82,4%, e 34 cidades já estão acima desse percentual.

Em Campo Grande, as obras incluem bairros como Itamaracá, Moreninhas, Novo Samambaia, Nashville, Itatiaia e Imbirussu. Também está prevista a ligação das Moreninhas com a Avenida Gury Marques, considerada uma das principais intervenções viárias em andamento na Capital.

Para o secretário, a infraestrutura continua sendo o principal motor do desenvolvimento estadual. “Onde há rodovia, você tem progresso. Dotar uma região de asfalto é dotá-la de desenvolvimento”, afirmou.

EM PAUTA MS– Todos os direitos reservado à Paulo Azevedo Webdesigner.